quinta-feira, 19 de novembro de 2009

É isso que sou

Este texto pretende reforçar que cada um se descobre de um jeito, num dado momento, não tendo que respeitar uma ordem lógica para todas as pessoas seguirem. Pois bem, sendo assim, alguns se descobrem ainda na infância e outros quando já estão para morrer, porém não é tarde, pois a descoberta por si só já é emocionante. Claro que se for na juventude a gente tem mais tempo para aproveitar. No meu caso não se trata de uma descoberta, mas de uma autoafirmação do que já sou há algum tempo. Esta autoafirmação foi revelada num banheiro da prefeitura de Barra Mansa, onde trabalho. Estão curiosos, não é mesmo? Para quem pensa que me refiro a opção sexual, engana-se. Nesse quesito já me encontrei há tempos.

Imaginem, eu dentro de um banheiro me arrumando para uma apresentação do coral (isso, faço parte de um coral, mas depois falo sobre isso) e de repente abro minha bolsa de maquiagem ou necessaire, como queiram. Uma pausa. Mulheres que conhecem as bolsas tipo necessaire. Ou melhor, homens também, já que alguns usam e outros se deparam com elas nos lavabos, nas mesinhas do quarto, no banheiro...bem, o que vocês pretendem encontrar numa bolsa de maquiagem???? Ai, Gabriela - devem ter pensado - é óbvio que é a maquiagem. Não é tão óbvio assim não, tá?! A minha por exemplo tem perfume, sabonete, um pente, creme de cabelo...e...UM PEN DRIVE E CANETA!!!

Como assim PEN DRIVE E CANETA? Essa é a minha autoafirmação, meus caros. Muitos se reconhecem jornalistas ao verem sua matéria publica com assinatura ou na capa do jornal ou ainda quando veem uma matéria de sua produção abrindo o jornal na TV (termo usado para definir a matéria que inicia o jornal de TV e que na maioria dos casos é a mais importante) - e que nesse caso já tive essa sensação também. Outras pessoas notam-se jornalistas quando estão fumando horrores e falando sozinhas, quando a úlcera ataca, os cabelos ficam brancos e mais tantas outras descobertas que são, como eu já disse, emocionantes. Mas minha ficha caiu num banheiro da prefeitura, atrasada para apresentação do coral e UM PEN DRIVE E UMA CANETA na minha necessaire. Confesso que naquela hora sentei e ri. Essa foi minha reação diante da afirmação de que eu sou uma autêntica jornalista, e ainda, em tempos modernos (por causa do pen drive, há alguns anos seria disquete ou só a caneta). Eu rindo e o celular tocando com alguém, que não me lembro quem agora, me apressando para a apresentação do coral. Pois bem, nessa hora me veio a autoafirmação e uma dúvida. No meio de batom, lápis, sombra, blush...UM PEN DRIVE E UMA CANETA. Então firmada a posição de jornalista, a dúvida era: sou mais jornalista ou sou mais mulher? Ai, meu Deus, esse texto eu deixo para um próximo post.




sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Curso JPPS

Esse texto abaixo e os próximos que vou escrever serão sobre as experiências que estou tendo no curso de Jornalismo e Políticas Públicas Sociais na UFRJ no Rio de Janeiro. Está sendo maravilhoso, estou me redescobrindo.

Menino de Santa Cruz

MENINO de Santa Cruz. Talvez essas palavras definam quem é Marcus Vinícius Faustini. O diretor teatral e documentarista tornou-se hoje o que colheu de frutos como um menino de infância pobre, sonhador e que soube aproveitar as boas oportunidades que a rua deu para formar a própria noção de cultura. Faustini cresceu em Santa Cruz, bairro da Zona Oeste do Rio de Janeiro, e cenário das principais experiências de muitas faces de produções culturais e de vida deste garoto. O menino de Santa Cruz tomou repercussão e foi parar em grandes palcos do Brasil como diretor teatral, mas como ele mesmo afirma, “nunca tirei os pés do meu território”, mesmo quando foi premiado pela montagem elogiada por crítica e sucesso absoluto de público do espetáculo Capitu. Tantas experiências na vida pessoal serviram, mais tarde, para que através de projetos, novos meninos se descobrissem e participassem de movimentos culturais desenvolvidos na periferia.

Este breve trecho da história de Faustini não tem a finalidade de divulgar uma biografia, mas conscientizar pessoas e governos, que com um pouco de boa vontade, dedicação e incentivo é possível que mais meninos se encontrem no meio de tantas produções culturais que a periferia oferece. Pois quando o “território” produz arte, das diversas maneiras existentes, não é preciso importar e assim a comunidade se fortalece e o menino encontra um jeito de “tá na vida”. Faustini disse ter seguido tendências punk e funk, ter conhecido a teologia da libertação, ter sido militante de movimento estudantil e, hoje, trabalha como secretário de Cultura da cidade de Nova Iguaçu, na baixada Fluminense, onde coloca em prática o que aprendeu durante sua vida.

De acordo com o secretário, em tempos antigos os escritores e intelectuais brasileiros buscavam formas de representar o povo, criavam movimentos que seriam a caracterização fiel do que era a expressão popular. Porém, a partir dos anos 90, o povo deixa se ver representado em discursos e obras e passa a ser o agente de produção deste conteúdo. Mas mesmo com essa mudança no Brasil, onde o discurso de defesa seja pela cultura popular, ainda existe a falta de mecanismos para que estas culturas sejam expostas e desenvolvidas. De acordo com Faustini, os projetos que conseguem ser emplacados na área social são vistos como assistencialismo e não como uma forma de fomento da expressão de uma comunidade, pois a periferia é vista pelas óticas da carência, o que é um grande erro. Na verdade, elas têm a própria essência.

Mesmo diante dessas barreiras, a riqueza das produções artísticas populares estão cada vez mais aparentes. De certa forma, as trocas simbólicas entre diferentes grupos é responsável pela disseminação cultural. Diferente de outras épocas e até mesmo nos dias de hoje, em alguns locais, os grupos não se fecham num determinado segmento e sim, acolhem as demais manifestações a fim de misturar diferentes estilos. Estilos esses que são vistos com frequência com olhares de criminalização. O exemplo mais comum é o funk. Faustini lembrou que o ritmo começou seguindo vertentes de questionamentos de problemas sociais e conscientizadoras, mas que, aos poucos, essas foram abandonadas e, atualmente, restou apenas a da criminalidade, que é onde a manifestação encontra forças para sobreviver, embora existam movimentos e locais que usem o funk para fazer cidadania.

O secretário comentou também sobre a relação entre som e imagem e as camadas sociais. Segundo ele, ao longo da história a imagem ficou sob o comando da elite e é o que acontece até hoje. Para os mais pobres restou a oralidade, uma forma mais barata e fácil de comunicação. Por isso é comum vermos em alguns lugares a criatividade associada à voz, e em muitos casos sendo usadas para chamar a atenção para atividades de sobrevivência. Nas ruas...OLHA A VAN...CACUIA, COCOTÁ, FREGUESIA, BANANAL. Nas praias...MATE GELADINHO, OLHA O AÇAÍ, QUEIJINHO NA BRASA, ÁGUA DE COCO...e tantos outros.

Depois de percorrer tantos palcos, ruas e comunidades, Marcus Vinícius Faustini continua desempenhando um importante papel social em Santa Cruz, mas mora atualmente em Santa Tereza, também no Rio de Janeiro. Como secretário, criou o fundo de cultura com arrecadação de 1% revertido para atividades nos pontos de cultura de Nova Iguaçu, sobretudo nos pontinhos, que segundo ele, são os 55 que funcionam nas escolas. Ainda de acordo com Faustini, Nova Iguaçu é o único município no Rio que tem esse fundo disponível para a cultura.

Para os que andam desanimados com o rumo das políticas públicas no país, Marcus pede determinação e pressão aos órgãos públicos e sobretudo que acreditem que esses trabalhos podem transformar a vida dos Meninos, termo que ele usa com frequência, mostrando intimidade com aqueles que são hoje, o que ele foi há alguns anos. Por isso o leitor deve ter notado que repito o termo várias vezes e o destaco. Num tom de alegria e satisfação, Marcus Vinícius Faustini, disse estar feliz com a posição que ocupa hoje, e mais do que isso, com os trabalhos que realiza. Faustini, que foi visto por muitos como vagabundo, porque em vez de trabalhar de forma convencional optou por teatro e arte e participava de movimentos. Segundo ele, existe esta visão de que pobre tem que trabalhar e não estudar muito, nem ter sonhos utópicos e outros tipos de realizações. “Devemos mudar essa história com muito trabalho!”


Eu, Gabriela Misael, assino embaixo.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

EDITAL DE CONVOCAÇÃO

Nos termos do Decreto Presidencial publicado no Diário Oficial da União em 17/04/2009, que convocou a I Conferência Nacional de Comunicação, ficam convocados todos os órgãos públicos, entidades representativas da sociedade civil, movimentos sociais e sindicais e veículos comerciais e comunitários de comunicação social dos municípios da Região Sul do Estado do Rio de Janeiro para a I Conferência de Comunicação do Sul Fluminense – Etapa Regional da I Conferência Estadual de Comunicação do RJ – que será realizada dia 14/08/2009, de 18h30 às 22 horas, no Centro Universitário de Barra Mansa, e dia 15/08/2009, de 8h30 às 17h30, na Câmara Municipal de Volta Redonda.

O credenciamento de até 02 (dois) delegados(as) por entidade será realizado no dia 15/08/2009, de 8h30 às 11h00, na Câmara Municipal de Volta Redonda.

Volta Redonda, 05 de agosto de 2009.

Comissão Organizadora da Conferência de Comunicação do Sul Fluminense

Comissão RJ Pró-Conferência Nacional de Comunicação

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Venha, escreva aqui!

Você que quer ser jornalista, escrever uns artigos ou assessorar alguém, venha, nós damos cursos de como fazer releases, press kits, ensinamos o que é o lead, pirâmide invertida e todas as “artimanhas” da profissão em um mês! Achou estranho esse tipo de anúncio? Pois bem, com a decisão do STF (Supremo Tribunal Federal), nessa quarta-feira (17/06), de suspender a obrigatoriedade do diploma para os jornalistas será esse o enredo de alguns cursinhos que vão acabar surgindo para a formação imediata de profissionais.

De acordo com o diretor do Comitê de Relações Governamentais da ANJ (Associação Nacional dos Jornais), Paulo Tonet Camargo, as empresas vão continuar priorizando os profissionais que têm o diploma e o mercado jornalístico não sofrerá mudanças com a decisão dos ministros. Talvez as empresas sérias priorizem pelo diploma, caso não exista um filho, parentes ou amigos do dono que gostem de escrever. Mas e os veículos que visam apenas lucros e mão-de-obra barata? Imaginem, o jornalista já é mal pago, com essa decisão a remuneração pode diminuir ainda mais. Na região, por exemplo, a média de salário é de R$700, com o fim da obrigatoriedade é possível que além da diminuição do salário, haja uma diferenciação entre os profissionais formados e os considerados jornalistas por exercício.

É possível que os cargos de chefia sejam disponibilizados para quem tem formação, seguindo a linha de pensamento universal ou capitalista que o poder está diretamente ligado ao conhecimento, causando assim a discriminação de quem não tem o diploma. Por outro lado, essa decisão pode ser a saída para os midialivristas e divulgadores de informações da Web conseguirem o registro, pois afinal de contas, não é por não ter diploma que essas pessoas não tenham também o interesse pelo povo e pela divulgação. Mas lembro que eu sou a favor de que exista um jornalista formado nesses locais para orientar a comunidade a manifestar seus pensamentos, expressões e cultura e colaborarem na divulgação de informações no exercício do jornalismo do e para o povo.

Entrando no campo da ética e esse sim é complicado de se dizer, acredito que o fim da obrigatoriedade do diploma interfira ainda mais. Notamos que as empresas jornalísticas priorizam as vendas e isso significa passar por cima de meios éticos se preciso. Mas quando você passa pela faculdade você é orientado sobre a ética, chegando ao mercado de trabalho decide se a usa ou não. Imagino que se começarem a surgir jornalistas, que além da defasagem técnica, tenham também essa falta de compreensão ética, esse meio vai virar uma verdadeira bagunça PERIGOSA. Surgirão mais jornais com ligações políticas, interesses comerciais que talvez não utilizem a ética para o trabalho. Por outro lado, o jornalismo social volta a aparecer e com ele e pessoas bem intencionadas a oportunidade de se praticar a ética, sem se sucumbir aos interesses mercadológicos.

Enfim, fico chateada de ter estudado quatro anos e no meu primeiro ano de formada me deparar com tal situação, mas tenho certeza que o conhecimento adquirido nesse período me tornou uma jornalista com diferencial no mercado de trabalho.


terça-feira, 26 de maio de 2009

Comer, comer!

Dia desses pensando em qual seria o cardápio do dia me peguei numa dúvida. Comeria algo mais barato, porém menos saudável (coxinha, risole, empada, enroladinho de queijo e presunto, esfiha...) ou optaria pelo bom almoço de cada dia (arroz, feijão, salada, carne...). Pois nesse dia percebi por que (talvez) as pessoas estejam ficando mais gordinhas hoje em dia.
Pensem: numa lanchonete a promoção de salgado e refresco custa apenas 2,50, enquanto num restaurante em que você tenha opção de escolha, o chamado self-service do baratex, nem é um chiquezinho, o quilo da comida chega aos R$21. Se for churrasco é mais caro, mas quem vai se dar o luxo de comer churrasco em plena terça-feira?!rs
Pois bem, quem tem a opção de comer no restaurante de R$1 ainda pode pagar menos por uma comida saudável, mas vai ter que esperar pelo menos 20 minutos na fila. É, está difícil comer bem por um preço bom e sem ter que enfrentar filas.

terça-feira, 12 de maio de 2009

E lá, ele vai?

Será que o Willian Bonner com toda sua magnitude vai fazer um ao vivo de uma das áreas prejudicadas pelas enchentes do Norte e Nordeste, assim como fez em Santa Catarina há alguns meses? Acho que não, né? Vai entender tais preferências...

As enchentes que castigam o Norte e o Nordeste do Brasil já atingiram mais de 1 milhão de pessoas e o número de mortos chega a 42. O tradicional Festival Folclórico de Parintins, marcado para final de junho, no Amazonas, pode ser adiado por causa dos estragos causados pelas cheias dos rios.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Aproveitando a crise

Em época de crise, por que não lucrar com ela? É o que pensam os donos de uma livraria em Volta Redonda. Na semana passada a vitrine expunha nada menos que quatro livros sobre negócios e como se livrar da tal crise. Se a intenção da livraria é fugir dela aumentando as vendas de livros desse segmento, que surjam empresários desesperados por novas estratégias...

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Essa moça tá diferente...

Como não sei rimar, fazer poesia e música tão bem, recorro a uma interpretação de Roberta Sá numa canção de Chico Buarque. O Chico, sei que já conhecem, mas se ainda não tiveram o privilégio de ouvir Roberta Sá, recomendo conhecer o samba e a voz macia dessa excelente cantora. Mais em http://www.robertasa.com.br/

Essa moça 'tá diferente

Essa moça 'tá diferente
Já não me conhece mais
Está pra lá de pra frente
Está me passando pra trás
Essa moça 'tá decidida
A se supermodernizar
Ela só samba escondida
Que é pra ninguém reparar
Eu cultivo rosas e rimas
Achando que é muito bom
Ela me olha de cima
E vai desinventar o som
Faço-lhe um concerto de flauta
E não lhe desperto emoção
Ela quer ver o astronauta
Descer na televisão
O tempo vai
O tempo vem
Ela me desfaz
O que é que tem
Que ela só me guarda despeito
Que ela só me guarda desdém
O tempo vai
O tempo vem
Ela me desfaz
O que é que tem
Se do lado esquerdo do peito
No fundo, ela ainda me quer bem

Essa moça 'tá diferente
Já não me conhece mais
Está pra lá de pra frente
Está me passando pra trás

Essa moça é a tal da janela
Que eu me cansei de cantar
E agora está só na dela
Botando só pra quebrar

Mas o tempo vai
O tempo vem
ela me desfaz
O que é que tem
Que ela só me guarda despeito
Que ela só me guarda desdém

Mas tempo vai
O tempo vem
Ela me desfaz
O que é que tem
Se do lado esquerdo do peito
No fundo, ela ainda me quer bem

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Dúvidas...


Às vezes parece que só eu tenho uns tipos de dúvidas, ou melhor, vivo na dúvida sobre algumas coisas. É cor de esmalte, modelo de blusa, sapato, agenda de eventos no fim de semana...e não são só as "futilidades" não...que livro começo a ler agora? para qual mestrado presto prova? mestrado, especialização ou outra faculdade? caso ou compro um carro?...Por mais que a gente decida, fica sempre uma dúvida...e se eu tivesse feito diferente???
De acordo com uma amiga, o melhor a fazer é experimentar e não se preocupar com os erros ou com o tempo "perdido" pois esse pode ser o tempo em que encontramos alguma outra coisa. Para os/as encalhados/as um amor novo, uma percepção diferente, o descobrimento de si, amigos...
Então resolvi seguir o conselho, porém com um pouco mais de juízo. Foi bom. É bom, mas agora surgiu outro problema, o cansaço. Tanta coisa ao mesmo tempo me dá um nó, mas dúvidas eu não tenho tantas, apenas fadiga!